
Quando abri os olhos, fui envolvida pela vastidão de um céu. Invadiu-me até o fim. A viagem era longa demais e eu já estava na metade. Tão cansada, que poderia retornar, não tivesse andado tanto até ali. Voltar seria pior, eu sei. Era um ônibus nem velho, nem novo. As poltronas eram confortáveis até onde conseguiam ser. Não havia ar condicionado e sol não dava trégua. A estrada estava ruim. Perigosa. Curvas e buracos. Era esse mesmo o caminho? Não sabia. E, juro, não era tempo de respostas. Melhor entorpecer a alma com Clarice Lispector. Ela sempre me leva para a sombra arejada de minha copa preferida, num lugar onde nada provoca. Ali, bem ali, embaixo da árvore, na grama aconchegante e fresca, sento desprevenida e corajosa. Feliz, saboreio o colorido, exalo aromas cintilantes, emito sons de borboleta. Ali, as nuvens são tocáveis. E, sim, são macias e doces. Ora chantili. Ora algodão. E muitas vezes me aninham, colo de mãe, na hora de dormir.
7 comentários:
Geração Clarice Lispector! Nada mais profundo que seus discípulos também...
Gosto muito do que escreves!!!
Parabéns!
Eliane Azevedo.
Trata-se de palavras fantásticas que trazem refresco pra alma.
Abraço Lucci.
Luci,
É a fuga do homem urbano em busca do campo para refletir. Não seria apenas um devaneio. É histórico e nós sabemos. A cidade, às vezes, nos faz sumir.
Bjs.
Num tempo sem respostas, você encontrou a paz do palpável...
Texto lindo, tocante.
Parabéns!
Beijos e ótima semana!!!
As nuvens nos colocam mais perto do céu. Já as estrelas, bem..., as estrelas são difíceis de contar!
Beijão!
Bom voltar ao seu blog...
Também tenho um esconderijo desses pra me encontrar.
Bonito devaneio.
Bjs
Hoje mesmo estava lembrando de uma música do Caetano Veloso ( em parceria com Capinam), onde a refrão sempre repete: "Que mistério tem Clarice.
Que mistério tem Clarice.
Pra guardar-se assim tão firme, no coração."
Lendo teu texto, achei que ele merecia esse fundo musical.
bjs. Veronica
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